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4 de out. de 2012

Corações Sujos

Após o término da Segunda Guerra Mundial, o Japão passou por um período de reconstrução árduo. Em primeiro lugar, havia a necessidade em aceitar a derrota para os Aliados. O que, significaria, para boa parte dos japoneses, ir de encontro à tradição triunfalista da país até então.

Os imigrantes nipônicos no Brasil, em 1946, dividiram-se quanto ao processo de derrota / rendição do país. Houve os que não acreditaram nos fatos ocorridos e criaram uma resistência para combater a quem aceitou a nova realidade, os chamados "corações sujos", que não honravam o nacionalismo da nação oriental.


Este episódio histórico é ficcionado no filme de Vicente Amorim, tendo como base o livro de Fernando Morais, que utiliza como início dos conflitos, a reação do governo brasileiro reprimindo os japoneses descrentes da vitória aliada. Os oficiais militares brasileiros, então, em uma missão, caracterizada por excessos, desonram também um dos grandes símbolos japoneses, a bandeira e, assim, desencadeiam, entre os "corações limpos", uma cruzada para recuperar o espírito de honra, mas com consequências bastante conflituosas para a comunidade.

Neste caso, os crentes ainda na glória japonesa, passam a recrutar, simpatizantes com a intenção de perseguir ou eliminar os "traidores", criando uma organização. Um destes imigrantes recrutados, o fotógrafo Takahashi (Tsuyoshi Ihara), é transformado em um assassino, seguindo os princípios de honra e dos guerreiros samurais. Mesmo sendo acompanhados de incertezas, injustiças e violência. A esposa de Takahashi, Myiuki (Kimiko Yo), sofre com o caminho trilhado pelo esposo e a incapacidade dela em evitar a possibilidade iminente de uma tragédia. 

As qualidades técnicas do filme são inegáveis. Uma fotografia bem elaborada, contribuindo para dar um acabamento plástico bonito às cenas. Mesmo em passagens que entrecortam certas sequências, utilizando a imagem parcialmente desfocada, há uma função para tanto. Não é gratuito. O som do filme também é de primeira, de um capricho bem evidenciado, sobretudo nos efeitos sonoros. A trilha sonora, sim, que mesmo bela, em demasia e em momentos desnnecessários, chega a causar incômodo, na tentativa de "orientalizar" demais as ações do filme, mesmo ficando bem claro, toda a ritualização típica samurai.

Atuações muito boas do elenco. Sobretudo dos atores japoneses. Ajudou também nisto a utilização da maioria dos diàlogos na língua original dos nipônicos, criando uma identidade mais verossímel. Já  com os atores brasileiros, o único papel de destaque é de Eduardo Moscovis, oferecendo uma interpretação apenas correta a um delegado, responsável em manter a ordem e evitar um conflito mais violento entre os imigrantes.

Vicente Amorim, que se destacou a partir de O Caminho das Nuvens,  realiza uma direção boa, segura. Peca, apenas, em dar uma aspecto muito formal e solene  em algumas passagens. Mas nada tão comprometedor para prejudicar o roteiro de David França Mendes, qualificado o suficiente para despertar o interesse do espectador em conhecer mais profundamente a nossa História.

Direção:Vicente Amorim
Roteiro: David França Mendes 
Gênero: Drama 
Duração: 107 minutos
País: Brasil

Ano: 2011

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